A Incompatibilidade Doutrinária Do Cristianismo Com O Espiritismo Kardecista

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RESUMO

Em razão do crescimento do espiritismo, muito se tem difundido acerca da conciliação dessa doutrina com o Cristianismo, denominando-se de Espiritismo Cristão ou Cristianismo Espírita, sendo essa defesa o fruto da busca pela conciliação das doutrinas de Jesus Cristo com os ensinos apresentados por Allan Kardec. O presente ensaio busca, devidamente fundamentado por meio de pesquisa bibliográfica, demonstrar tal fenômeno e expor a incongruência de algumas das doutrinas centrais do Cristianismo – Escritura, Divindade de Jesus, inferno, expiação e salvação – com o ensino espírita, o que torna essa conciliação absolutamente inadequada.

Palavras-chave: Cristianismo; Doutrina Cristã; Espiritismo; Espiritismo Cristão; Cristianismo Espírita; Espiritismo Kardecista; Soteriologia; Inferno; Condenação Eterna; Expiação.

1. INTRODUÇÃO

Em sua coluna na Revista O Tempo, José Reis CHAVES[1] afirma que “Kardec revolucionou não só o cristianismo, mas praticamente todo o espiritualismo”[2], e afirma, no título de sua opinião, que “É Allan Kardec, e não Lutero, o maior reformador do cristianismo”[3]. Mas não só em artigos de opinião é defendida essa tese. Em um artigo publicado na Revista dos Alunos do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, André Andrade PEREIRA, doutorado em Ciência da Religião, afirma que o espiritismo se apresenta como “herdeiro da filosofia cristã, bem como um movimento profético de retorno às origens”[4], e ainda complementa que esse movimento age “reinterpretando o pentecostes e potencializando a mediunidade como mecanismo de instrução e consolo, no contato com a falange dos Espíritos Santos”[5]. Ainda no meio acadêmico se aduz que os Espíritas, assim como os pentecostais, têm uma “ênfase bíblica, principalmente nos evangelhos”[6].

Se pode ver, portanto, que essa ideia de um Cristianismo Espírita ou de um Espiritismo Cristão está difundida pelo mundo, seja na opinião pública, seja no meio acadêmico. Mas será que é realmente possível se conciliar o Espiritismo e o Cristianismo? Será que, de fato, o Espiritismo está baseado na Bíblia e nos Evangelhos ali presentes? Será que, realmente, o Espiritismo é o herdeiro da filosofia Cristã? Será que o Espiritismo realmente resgata o verdadeiro Cristianismo? Será que Allan Kardec é um reformador superior a Lutero? E o mais importante, as doutrinas Cristãs Bíblicas são compatíveis com o Espiritismo, ou “Espiritismo Cristão” são dois termos que não poderiam ser assim conjugados? É a isso que tudo que se pretende responder.

2. DESENVOLVIMENTO

Para desenvolver melhor este ensaio, é necessário primeiro definir. O que é espiritismo? Segundo Allan Kardec “a doutrina espírita ou o espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos, ou seres do mundo invisível”[7]. No entanto, a prática espírita é de comunicação e aprendizados com os espíritos. Como se observa em O livro dos espíritos, são eles que revelaram a doutrina espírita. Vejamos, portanto, se essa doutrina revelada por eles é compatível com a doutrina Cristã Bíblica.

Há muitos aspectos divergentes entre essas religiões, como no que pensam a respeito da origem do mundo, o povoamento da terra, o pecado original, o trabalho, a reencarnação etc., mas, nessa oportunidade, se aterá a analisar apenas alguns poucos pontos centrais para a fé Cristã.

2.1. Doutrina das Escrituras

O Espiritismo afirma crer apenas nos Evangelhos, mas rejeita as cartas/epístolas apostólicas, bem como os demais escritos canônicos protestantes:

Como ele não escreveu nada, seus únicos historiadores são os apóstolos, que também nada escreveram enquanto o Cristo ainda vivia; como não há nenhum historiador laico contemporâneo seu que tenha falado a seu respeito e como não há nenhum outro documento sobre a sua vida e a sua doutrina além dos Evangelhos, somente aí (nos Evangelhos) é que se há de procurar a chave do problema. Todos os escritos posteriores — sem exclusão dos de São Paulo — são apenas — e não podem deixar de ser — simples comentários ou apreciações, reflexos de opiniões pessoais, muitas vezes contraditórias, que, em caso algum poderiam ter a autoridade da narrativa dos que receberam as instruções diretamente do Mestre[8].

Os espíritas dizem crer apenas nos Evangelhos, mas parecem esquecer que apóstolos que escreveram Evangelhos, também escreveram cartas; ignoram que, historicamente falando, é mais crível e digno de confiança o que relatam acerca dos fatos as testemunhas oculares. Os relatos e ensinos daqueles que conviveram com Jesus e escreveram sobre ele ainda no século I são de extrema confiança, seja porque foram dados por pessoas que efetivamente conheciam a Jesus, seja porque se fosse falso, teria sido facilmente rejeitado pelo público que também conheceu a Cristo; diferentemente da rejeição, porém, vemos diversos autores dos primeiros séculos reafirmando as verdades dos escritos apostólicos (como Clemente de Alexandria[9], Policarpo[10], Irineu de Lião[11] etc.) que hoje encontram-se incluídos na chamada Bíblia Sagrada. Ao invés, porém, de permanecer no ensino digno de confiança histórica, lógica e espiritual, os espíritas preferem se ater a uma revelação ocorrida cerca de mil e oitocentos anos depois e que contraria as provas históricas acerca do ensino de Jesus.

Esta é uma diferença fundamental entre Cristãos e Espíritas: enquanto os Cristãos têm por autoridade máxima documentos históricos escritos por testemunhas oculares ou com base nelas, e num contexto em que viviam as testemunhas oculares de Jesus, os Espíritas confiam numa revelação ocorrida cerca de 18 séculos depois de Cristo e que contraria os ensinos de Jesus segundo as testemunhas oculares de Cristo.

2.2. Divindade de Jesus

O Espiritismo, na pessoa de Allan Kardec, defende que os milagres de Jesus, ao menos em maioria, não foram realmente milagres, mas ilusões:

A possibilidade da maioria dos fatos que o Evangelho cita como operados por Jesus se acha hoje completamente demonstrada pelo Magnetismo e pelo Espiritismo, como fenômenos naturais[12]

Assim, removem, os espíritas, a possibilidade de constatação da divindade de Jesus em razão de Seus milagres. Perpassa ainda alguns escritos apostólicos (como evangelhos e cartas), procurando refutar a Deidade de Cristo. Afirma, assim, que Jesus não é Divino, não é Deus:

O dogma da divindade do Cristo se baseou na igualdade absoluta entre a sua pessoa e Deus, pois que, por esse tal dogma, Jesus próprio é Deus. Este é um artigo de fé. Ora, estas palavras, que Jesus tantas vezes repetiu: Aquele que me enviou, não só comprovam uma dualidade de pessoas, mas também — como já o dissemos — excluem a igualdade absoluta entre elas, pois aquele que é enviado necessariamente está subordinado ao que envia.[13]

[…]

Se Jesus, ao morrer, entrega sua alma às mãos de Deus, é que ele tinha uma alma distinta de Deus, submissa a Deus. Logo, ele não era Deus[14]

[…]

Ora, se ele fosse o próprio Deus, ou se fosse em tudo igual a este, não precisaria interceder, porque ninguém intercede junto a si mesmo[15].

Os Cristãos, no entanto, desde os primeiros séculos, “adoravam o Deus invisível e consideravam que havia somente um Senhor, Jesus Cristo” [16]. Ora, nisso se vê que os Cristãos creem na chamada Trindade, a qual, porém, é contestada pelos espíritas:

Para o espiritismo Deus é o supremo criador de tudo e de todos e Jesus é um Espírito superior, um dos filhos de Deus, mas que já ostenta inestimável superioridade evolutiva, em face de se fazer repousar em si um progressivo amadurecimento moral, e o Espírito Santo seria como uma emanação, uma energia vital, uma força magnética, uma providência ou o amor infindo de Deus[17]

KARDEC ainda afirma que a doutrina da Divindade de Jesus não é baseada em testemunhos oculares, mas é puramente especulativa e surgida três séculos mais tarde e que somente prevaleceu por pressão de um poder civil absoluto[18]. Ora, visto que, supostamente, a doutrina da Divindade de Jesus teria surgido três séculos mais tarde e que Cristo viveu no século I, então, se Kardec estiver correto, nenhum ensino da Divindade de Cristo deve ser encontrado antes do século IV, mas tal ignorante afirmação contraria a própria história. Ademais, mesmo sob perseguição do Império Romano, cessada somente no século IV d.C. com o édito de Constantino e Licínio[19], a defesa da Divindade de Cristo permaneceu, como se passa a demonstrar.

Primeiramente, ainda no século II d.C. (110-165)[20], Justino Mártir afirma que “Cristo é chamado Deus e Senhor dos Exércitos”[21]. Portanto, o Cristão Justino, ainda no século II, já defendia a Divindade de Jesus. Também Inácio de Antioquia, que viveu entre I e II d.C. afirmava expressamente que Jesus é “nascido, mas não gerado, O Deus encarnado, a vida genuína no meio da morte, que brotou de Maria, bem como de Deus”[22]. Esses são exemplos, a fim de incitar os mais dedicados a se aprofundarem no conhecimento e na apologética dos chamados pais apostólicos e também dos pais da Igreja.

Retrocedendo um pouco mais, ao século I d.C., encontramos Escritos históricos que, de igual maneira, defendiam que Jesus é Deus.

Na carta aos Hebreus, datada de antes dos anos 70 d.C.[23], o autor afirma que a respeito de Jesus se diz: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre[24].  De modo semelhante, 2 Pe 1.1[25] e Tt 2.13[26],  escritos, respectivamente, por volta de 60 d.C.[27] e 62-64 d.C.[28], se referem claramente à Jesus como Deus. Também Paulo, em sua carta datada de 57 d.C.[29], falando dos Judeus, afirma que “deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!”[30].

Pela graça comum, permitiu-se à Kardec tecer uma considerável observação, ao ressaltar a relevância dos Escritos Apostólicos para aferir a natureza de Cristo, afirmando que “uma vez que estes o assistiram em sua missão e uma vez também que, se ele lhes tivesse dado instruções secretas a respeito de sua natureza, alguns traços dessas instruções se descobririam nos escritos deles”[31], pois “Tendo vivido na sua intimidade, melhor do que ninguém eles haviam de conhecê-lo”[32]. São dentre esses mesmos apóstolos, porém, tidos por melhores conhecedores de Cristo, que também se testemunha da Divindade de Jesus.

Na Epístola do Apóstolo João, escrita antes de 90 d.C.[33], ele chama Jesus de Deus, afirmando que “o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Também João bem relata um trecho em que Jesus se fez igual a Deus (João 5.16-18).

Ainda no começo do Evangelho de João vemos isto:

Jo 1.1,4,18. 1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. […] 14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, […]Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou[34]

Assim, podemos ver claramente que João atribui ao λογος algo que pertence somente a Deus: existir desde o princípio, e afirma expressamente que O Λογος era Deus desde o princípio, e que este Λογος — que é Deus — se fez um ser humano! Ele está falando da encarnação de Jesus, dizendo claramente que Ele é Deus!

Também Marcos identifica Jesus como Deus, como vemos em seu Evangelho:

Mc 1.1-4. 1 A boa notícia que fala a respeito de Jesus Cristo, Filho de Deus, começou a ser dada 2 como o profeta Isaías tinha escrito. Ele escreveu o seguinte:

“Deus disse: Eu enviarei o meu mensageiro adiante de você para preparar o seu caminho.” 3 E o profeta escreveu também:

“Alguém está gritando no deserto: Preparem o caminho para O Senhor passar! Abram estradas retas para ele!” 4 E foi assim que João Batista apareceu no deserto, batizando o povo[35]

Nesta Passagem, vemos a citação de uma profecia de Isaías:

Is 40. 3, 10. 3 Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR [YHWH, nome próprio de Deus]; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. […] 10 Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa[36].

Logo, Marcos escreve mostrando que João batista anunciava a vinda de Deus, e João Batista anunciava a vinda de Jesus, logo, Marcos dá testemunho da Divindade de Jesus, O Cristo.

Da mesma maneira Jesus mesmo diz que é Deus, como se vê, uma vez mais, no Evangelho de Marcos:

Mc 14. 53, 55-56, 61-65. 53E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas. 54Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo. 55E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam. 56Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes. 57E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo: 58Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas. 59Nem assim o testemunho deles era coerente. 60Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? 61Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 62Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. 63Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? 64Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte[37].

O próprio Jesus também se identifica como O Messias e o Filho do Homem que virá sobre as nuvens, atraindo para Si a natureza Divina da profecia presente em Dn 7.13-14:

Dn 7.13-14. 13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. 14Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído[38].

Esta profecia em Daniel revela que alguém parecido com um ser humano viria sobre as nuvens até o Ancião de dias, e receberia poder, honra e autoridade de Rei, para que todo o mundo o servisse. É impossível que o Rei desta profecia fosse meramente um rei como Saul, Davi ou Salomão; o Rei anunciado viria sobre as nuvens, e receberia coisas que são exclusivas de Deus: poder/domínio, honra e autoridade tal que leva o mundo todo a o servir; e mais, um domínio eterno e um reino sem fim! Quem tem poder eterno senão Aquele que é essencialmente Eterno? Aqui, claramente este como um homem é na verdade o próprio Deus encarnado. Os Judeus sabiam disso e é por essa razão que quando Jesus diz ser tal homem, pretendem o matar, o acusando de blasfêmia por se dizer Deus (Mt 26.65-66).

Assim, vê-se que a ideia de um homem sendo Deus não é estranha nem mesmo ao Antigo Testamento. Sobre isso, destaca-se a profecia de Isaias (dentre outras) de que Deus viria como homem:

Isaias 9.6. 6 Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de “Conselheiro Maravilhoso”, “Deus Poderoso”, “Pai Eterno”, “Príncipe da Paz”. 7 Ele será descendente do rei Davi; o seu poder como rei crescerá, e haverá paz em todo o seu reino. As bases do seu governo serão a justiça e o direito, desde o começo e para sempre. No seu grande amor, o Senhor Todo-Poderoso fará com que tudo isso aconteça[39].

Como nós podemos ver, Deus diz que um menino nasceria, e que ele seria o Rei do povo. Também afirma que esta mesma criança, um menino, seria chamado de conselheiro maravilhoso e Príncipe da Paz, mas os títulos que mais saltam aos olhos são: Deus poderoso, e Pai Eterno. Quando se diz que o nome do menino é “Deus poderoso”, está justamente dizendo que o menino se chama Deus! Quem é este Menino, portanto? É Deus! De modo semelhante, quando diz “Pai Eterno”, está dizendo que este Menino é Pai Eterno! Ora, quem é um Pai Eterno? Aquele que é Pai e é Eterno, maior que a eternidade. Quem pode ser Eterno ou gerar a eternidade, senão aquele não tem princípio nem fim, que é o Alfa e Ômega? Logo, Pai Eterno, especialmente por ser Eterno ou gerar a eternidade, é Deus! Este menino é o Deus poderoso e eterno! Logo, haveria de nascer um menino que é Deus Eterno!

Portanto, ao contrário do que afirma o pai do espiritismo kardecista, a Divindade de Jesus não é um fruto de especulação, mas de revelação Divina, com fundamento no Antigo Testamento, nos Evangelhos e nas Cartas Apostólicas, redigidas a partir de Testemunhos Oculares de Cristo Jesus, bem como com testemunho histórico ainda nos séculos I e II.

Por fim, importa registrar que essa mesma doutrina permaneceu sendo defendida pelos Pais da Igreja, como Agostinho, especialmente em seu livro “Da Trindade”, e por Reformadores como Calvino, observável de seu livro “A Instituição da Religião Cristã”, e continua sendo defendida por modernos Teólogos que seguem o Cristianismo histórico, como Berkhof no seu livro de Teologia Sistemática. Muito maior é o número de autores ortodoxos, mas cessa-se por aqui as menções, uma vez demonstrado estar evidente que a doutrina Cristã é inerentemente Trinitária, diferentemente do espiritismo.

2.3. Pecados imperdoáveis, condenação e inferno

A doutrina espírita crê que nenhum pecado é irremissível, mas que tudo pode ser perdoado mediante expiação. Veja-se na íntegra:

“[…] Mas eles [os espíritos] também nos ensinam que não há faltas imperdoáveis que não possam ser apagadas pela expiação. O homem encontra o meio nas diferentes existências que lhe permite avançar, conforme seu desejo e seus esforços, na via do progresso à perfeição, que é o seu objetivo final”

Este é o resumo da doutrina espírita, assim como ela resulta do ensinamento dado pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as oposições que lhe fazem[40]

No entanto, essa crença é oposta à Bíblia e diametralmente divergente do que Jesus claramente afirmou, pois Deus disse expressamente que o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão; vejamos:

Marcos 3:28-30. 28Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. 30Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo[41]

Esse mesmo episódio é retratado no Evangelho de Mateus:

Mateus 12:31-32. 31Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. 32Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir[42].

Vê-se, portanto, que Jesus afirma expressamente que nem todo pecado será perdoado. Como pode, então, o espiritismo dizer que crê em Jesus e na Bíblia, mas professar algo contrário ao que Cristo ensina?

A consequência dessa falta de perdão, porém, é talvez aquilo que mais dificilmente é aceito pelas pessoas. Ora, se há aqueles que não são perdoados nem neste século, nem no futuro, o que acontecerá com eles? Cristo ensina que essas pessoas serão culpadas eternamente, isto é: serão condenados eternamente.

Essa ideia de condenação eterna é estranha ao espiritismo, o qual crê que todos os espíritos vão se tornar bons um dia, não havendo sofrimento eterno[43]. Segundo o livro escrito por Allan Kardec, este afirma que o próprio espírito de Santo Agostinho disse que a punição eterna no inferno é algo próprio de “um Deus terrível, ciumento e vingativo […] Porém, esse não é o Deus dos cristãos, que coloca na classe das virtudes primordiais o amor, a caridade, a misericórdia e o esquecimento das ofensas”[44]. Também declara que o próprio apóstolo Paulo, em uma revelação à Kardec, se opôs ao inferno afirmando que “A ideia de inferno, com suas fornalhas ardentes, com suas caldeiras fervilhantes, poderia ser tolerada, quer dizer, perdoável num século de ferro; mas em pleno século dezenove, isso não é mais do que um fantasma, quando muito para amedrontar criancinhas”[45], o qual teria ainda afirmado que “o objetivo do castigo não é outro que a reabilitação, a redenção. Querer que o castigo seja eterno, por uma falta que não é eterna, é negar toda a sua razão de ser”[46]. Percebe-se, assim, que, supostamente segundo os espíritos de Agostinho e Paulo, o inferno eterno seria uma farsa, porque o Deus cristão não é assim.

O entendimento espírita acima, porém, mais uma vez, destoa do ensino Bíblico porque Cristo não afirma que todos serão salvos (ou aperfeiçoados), mas, diferente disso, afirma que muitos não serão salvos:

Mateus 7:22,23. ²² Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? ²³ E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade[47].

 

Lucas 13:24-28. ²⁴Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão. 25Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. 26Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. 27Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniquidades. 28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora[48].

Quando Jesus narra a história do Rico e de Lázaro, diz que Abraão, no paraíso, informa ao Rico que há um abismo entre esses dois lugares, de modo que um não pode mais ir para o lugar do outro; o resultado é eterno! Observe-se a resposta de Abraão ao Rico:

Lucas 16:25-26. ²⁵ Disse, porém, Abraão: […] ²⁶ E, além de tudo isto, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá[49].

O resultado, portanto, é definitivo; há sofrimento definitivo e paraíso definitivo; uma vez em um desses lugares, não é mais possível passar para o outro. Nisso, espiritismo e Cristianismo histórico e Bíblico destoam.

Ainda, o Espiritismo é oposto ao Cristianismo porque neste, deste o Antigo Testamento se fala que haverá dois caminhos após a morte: sofrimento eterno ou alegria eterna; vejamos isso no Livro de Daniel:

Daniel 12:1-2. ¹ E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. ² E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno[50].

É evidente, pois, que o resultado será eterno: alegria ou sofrimento. Jesus, porém, também afirma isso, ao dizer o seguinte:

Mateus 25:44-46. ⁴⁴ Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? ⁴⁵ Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. ⁴⁶ E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna[51].

Por fim, a acusação de que isso fere o caráter de Deus não é aceitável, pois, sem maiores delongas, Deus é eternamente justo, embora sempre tenha vingado e punido os pecados, como se demonstra do Antigo ao Novo Testamento.

2.4. Expiação de pecados

Uma vez, porém, que ambas as doutrinas creem na existência de pecados perdoáveis, como esses pecados são perdoados/expiados?

Para os Espíritas a expiação (perdão de pecados) é realizada pela própria pessoa em sua encarnação, conforme se observa da “revelação dos espíritos”:

132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

“Deus lhes impõe a encarnação com o propósito de fazê-los chegar à perfeição: para uns, ela é uma expiação; para outros, é uma missão. Contudo, para alcançar essa perfeição, os Espíritos devem passar por todas as vicissitudes da existência corporal: é nisso que consiste a expiação.[52]

[…]

167. Qual o objetivo da reencarnação?

Expiação, melhoramento progressivo da humanidade; sem isto, onde estaria a justiça?”[53]

[…]264. O que orienta o Espírito na escolha das provações que ele queira sofrer?

“Ele escolhe aquelas que podem ser para ele uma expiação, pela natureza das suas faltas, e o faz avançar mais depressa. Uns podem, portanto, impor a si mesmos uma vida de misérias e privações para tentar suportá-las com coragem; outros preferem experimentar as tentações da fortuna e da autoridade, muito mais perigosas, pelos abusos e má aplicação a que se pode fazer delas, e pelas más paixões que essas tentações desenvolvem; outros, enfim, querem ser testados pelas lutas que terão de sustentar em contato com o vício.”[54]

Muitas outras partes demonstram que é na reencarnação[55] e no sofrimento que ocorre a expiação[56], como, por exemplo, quando um homem civilizado encarna numa “raça selvagem”[57], quando uma pessoa nasce com deficiência mental[58], quando trabalha[59], quando faz o bem[60], quando alguém querido morre[61], quando alguém se suicida pra escapar da vergonha de uma má ação[62] etc. Em síntese, defendem os Espíritas, é durante a reencarnação que a pessoa sofre e realiza boas ações para compensar sua maldade. Assim, a expiação é realizada pelo próprio pecador, pela própria pessoa.

Também, por ser algo oposto ao Cristianismo, é preciso registrar que, segundo o Espiritismo, o arrependimento não basta, porque precisa se expiar na própria pele o passado[63].

O Cristianismo, porém, defende algo totalmente oposto a isso. Quando Adão peca, embora tenha tentado fazer para si uma cobertura, é Deus quem os cobre com pele animal (Gn 3.21) e, posteriormente, quando o povo pecava, um animal é que deveria ser sacrificado para expiar o pecado (Lv 1.4 etc.). No auge disso, temos Isaias 53, quando Deus anuncia por meio do profeta Isaías que a expiação dos pecados do povo de Deus seria realizada por meio da morte e do sofrimento de um só homem perfeito; cita-se um breve recorte:

Isaías 53.5,11. ⁵ Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados […] ¹¹ Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si[64].

Como se vê, um é quem pecou, mas outro é quem pagou. É esse homem retratado em Isaías que deveria pagar pelas transgressões do povo de Deus. Repare na diferença que há nas pessoas da narrativa, “nós” e “ele”; nós pecamos, Ele paga; nós merecemos castigo, Ele traz paz; nós transgredimos, Ele é castigado; nós precisamos de salvação, Ele nos dá justificação.

Jesus, O Cristo prometido, diz que é pelo sangue Dele que há expiação de pecados. Observe-se o que diz no Evangelho de Mateus:

Mateus 26.28. ²⁸ Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados[65].

Paulo também defende isso em suas Cartas, mas especialmente Romanos:

Romanos 3:24-25. 24sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, 25ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus[66].

É dessa maneira, também, que os Cristão, na devida interpretação da Bíblia, sempre creram. Clemente, que viveu em I d.C., em sua primeira carta, afirma que nós “não somos justificados por nó mesmos ou pela sabedoria ou percepção ou devoção religiosa ou pelas boas obras que de boa mente praticamos, mas pela fé”[67]. Policarpo, ainda no século II[68], considerado pelos pagãos como o pai dos Cristãos[69], ordenado bispo de Esmirna pelo apóstolo João, conforme o historiador Eusébio de Cesareia[70], que foi discípulo dos apóstolos e viveu com muitos que conviveram com o Senhor Jesus, em uma carta aos Cristãos em Filipos, defendeu a encarnação e morte reais do Senhor Jesus Cristo[71], bem como ensinou sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo que se deve crer na morte redentora de Cristo, em sua ressureição na carne, na justificação pela graça e na salvação, bem como que Jesus é juiz dos vivos e dos mortos e o fundamento de toda obra do Cristão[72], tendo ainda confessado publicamente que Jesus era seu rei que o tinha salvado[73]. De forma semelhante, Calvino (XVI), afirma que pelos sacrifícios da Lei “clara e abertamente foi ensinado aos fiéis que a salvação não deve ser buscada senão na expiação que foi realizada apenas por Cristo[74]. Por fim, modernos Teólogos Cristãos também assim entendem que a expiação é realizada por Cristo, o Deus ofendido e não pelo ofensor:

Quando o homem caiu e se afastou de Deus, ficou devendo uma reparação a Deus. Mas ele só poderia expiar o seu pecado sofrendo eternamente a penalidade fixada para a transgressão. É o que Deus podia exigir, pela estrita justiça, porém, Deus designou um substituto na pessoa de Jesus Cristo para tomar o lugar do homem, e este substituto expiou o pecado e obteve eterna redenção para o homem[75].

Ora, é o sangue de Cristo que expia pecados, que redime pecados, que perdoa pecados. Do Antigo ao Novo Testamento a expiação não se dá pelo sofrimento do próprio pecador ou pelas boas ações que faz, mas pelo sacrifício de Jesus. Enquanto no espiritismo as pessoas alcançam a salvação sozinhos, no Cristianismo é preciso do sangue de Jesus para expiar os pecados; enquanto o Espírita acredita que seu sofrimento e suas boas ações (boas obras) geram perdão, a Bíblia e Jesus dizem que o perdão é somente pelo sangue de Jesus.

Assim, a justificação para o Espírita depende dele mesmo, mas para o Cristão depende de Deus, e o perdão de pecados, juntamente com a salvação da condenação no inferno, ocorrem por meio da fé em Jesus e do arrependimento, e não por meio do próprio sofrimento e esforço. É assim que Jesus mesmo ensinou nos Evangelhos:

João 3:16-18. ¹⁶ Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. ¹⁷ Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. ¹⁸ Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus[76].

Outros Trechos também ensinam que a salvação, a expiação e a vida eterna, são recebidas por meio da fé com arrependimento:

João 5:24. ²⁴ Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida[77].

João 11:25. ²⁵ Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá[78].

É também por meio da fé que Jesus disse que uma mulher foi salva:

Lucas 7:50. ⁵⁰ Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz[79].

Como se observa, Jesus ensina que é pela confiança em Jesus que alguém é salvo da condenação eterna, e não por esforço próprio e sofrimento em terra.

Apenas à título de complemento, para concluir essa temática, Paulo ensina que por ações próprias, tentando ser perfeito e seguir a lei de Deus, ninguém será salvo:

Romanos 3.20. ²⁰ Pois ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda, porque a lei faz com que as pessoas saibam que são pecadoras[80].

Gálatas 3.11. ¹¹ É claro que ninguém é aceito por Deus por meio da lei, pois as Escrituras dizem: “Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus”[81].

Como é possível o espiritismo dizer que crê na Bíblia e em Jesus, mas defender exatamente o oposto do que toda a Bíblia e Jesus ensinam em assuntos tão centrais e essenciais?

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desse breve ensaio se pode observar que Cristianismo e Espiritismo Kardecista defendem ideias opostas no tocante à autoridade, natureza de Jesus, expiação, salvação e condenação, pois enquanto o Espiritismo acredita na revelação dada à Kardec, não crê que Jesus é Deus, pensa que todos os espíritos irão evoluir até a perfeição, que não há sofrimento eterno e que o perdão de pecados é obtido com sofrimento e boas ações, o Cristianismo não crê nas ideias kardecistas, confia na Divindade de Jesus, sabe que a única forma de se obter perdão e salvação é por causa do favor de Deus recebido por meio da fé em Jesus Cristo, o próprio Deus que se encarnou, sofreu e morreu para pagar pelos pecados de Seus eleitos, bem como reconhece que nem todos serão salvos e que há condenação eterna e paraíso eterno. Dessa forma, como essas religiões pensam de forma diametralmente opostas em pontos centrais (autoridade, natureza de Jesus, expiação, salvação e condenação), não são compatíveis ou conciliáveis, sendo um sincretismo indevido a conjugação de crenças e práticas espíritas com crenças e práticas Cristãs.

4. REFERÊNCIAS

  1. ALMEIDA, Marcel et all. Do avivamento apostólico aos prenúncios da Reforma. Barueri: Ágape, 2021.
  2. BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Tradução de Odayr Olivetti. 4ª Ed. São Paulo: Cultura Cristã, p. 345.
  3. BRASIL, Sociedade Bíblica. Almeida Revista e Atualizada (ARA). Disponível em: < https://www.sbb.org.br/biblia/ARA/ISA.40>. Acesso em: <31/07/2025>.
  4. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Disponível em: <https://www.sbb.org.br/biblia/ARC/MAT.7>. Acesso em: <31/07/2025>.
  5. Nova Tradução na Linguagem de Hoje 2000 (NTLH). Disponível em: <https://www.sbb.org.br/biblia/NTLH/MRK.1>. Acesso em: <31/07/2025>.
  6. A Bíblia Sagrada (ARA). Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
  7. Bíblia de Estudo NAA. 3ª Ed. São Paulo: SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL, 2018.
  8. CALVINO, João. As Intituições da Religião Cristã. Tomo I, Livros I e II. Tradução Carlos Eduardo de Oliveira et all. São Paulo: UNESP, 2008.
  9. CHAVES, José Reis. O Tempo. Disponível em: <https://www.otempo.com.br/opiniao/jose-reis-chaves>. Acesso em: <17/07/2025>.
  10. CHAVES, José Reis. É Allan Kardec, e não Lutero, o maior reformador do cristianismo. Colunas. O Tempo. Disponível em: <https://www.otempo.com.br/opiniao/jose-reis-chaves/e-allan-kardec-e-nao-lutero-o-maior-reformador-do-cristianismo-1.1048284>. Acesso em: <17/07/2025>.
  11. Primeira Carta in Clássicos da literatura Cristã: pais apostólicas; confissões; imitação de Cristo. Tradução Almiro Pisetta, Antivan Guimarçaes. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.
  12. FERREIRA, Franklin. Servos de Deus: espiritualidade e teologia na história da igreja. São José dos Campos: Fiel, 2014.
  13. KARDEC, Allan. Estudo sobre a natureza do Cristo, §1º. in KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Paris: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, 1890. Editada por Pierre-Gaëtan Leymarie, Portal Luz Espírita: 2016.
  14. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 10ª Ed. Paris: 1863. Tradução: Ery Lopes. São Paulo: Luz Espírita, 2025.
  15. KRUGER, Michael J. (Org.). Introdução bíblico-teológica ao Novo Testamento. Tradução Willian Orlandi. São Paulo: Editora Fiel, 2023.
  16. MÁRTIR, Justino. Série Pais da Igreja: Diálogo de Justino com Trifão. Pais ante-nicenos 1 – Os Pais Apostólicos. Tradução de Paulo Matheus de Souza. Porto Alegre: Repositório Cristão, 2022.
  17. PEREIRA, André Andrade. O Espiritismo e a tradição Cristã. Sacrilegens, revista dos Alunos do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião – UFJF,
  18. PEREIRA, Marcelo. Jesus na Santíssima Trindade sob a ótica do espiritismo. Revista Letra Espírita. Disponível em: <https://www.revistaletraespirita.com.br/post/jesus-na-sant%C3%ADssima-trindade-sob-a-%C3%B3tica-do-espiritismo>. Acesso em: <23/07/2025>.
  19. Juiz de Fora, v. 4, n.1, p. 17-35, 2007. Disponível em: <http://www.ufjf.br/sacrilegens/files/2009/06/4-3.pdf>. Acesso em: <17/07/2025>.
  20. SOUZA, A. R. de ., & TORRES, N. C.. (2022). As duas faces evangélicas do espiritismo brasileiro. Religião & Sociedade, 42(1), 221–240. Disponível: <https://doi.org/10.1590/0100-85872021v42n1cap10>. Acesso em: <17/07/2025>.

Notas de rodapé:

[1] Colunas. José Reis Chaves. O Tempo. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/jose-reis-chaves. Acesso em: <17/07/2025>.

[2] CHAVES, José Reis. É Allan Kardec, e não Lutero, o maior reformador do cristianismo. Colunas. O Tempo. Disponível em: <https://www.otempo.com.br/opiniao/jose-reis-chaves/e-allan-kardec-e-nao-lutero-o-maior-reformador-do-cristianismo-1.1048284>. Acesso em: <17/07/2025>.

[3] Ibid.

[4] PEREIRA, André Andrade. O Espiritismo e a tradição Cristã. Sacrilegens, revista dos Alunos do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião – UFJF,
Juiz de Fora, v. 4, n.1, p. 17-35, 2007. Disponível em: <http://www.ufjf.br/sacrilegens/files/2009/06/4-3.pdf>. Acesso em: <17/07/2025>.

[5] Ibid.

[6] SOUZA, A. R. de ., & TORRES, N. C.. (2022). As duas faces evangélicas do espiritismo brasileiro. Religião & Sociedade, 42(1), 221–240. Disponível: <https://doi.org/10.1590/0100-85872021v42n1cap10>. Acesso em: <17/07/2025>.

[7] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 10ª Ed. Paris: 1863. Tradução: Ery Lopes. São Paulo: Luz Espírita, 2025, p. 15

[8] KARDEC, Allan. Estudo sobre a natureza do Cristo, §1º. in KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Paris: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, 1890. Editada por Pierre-Gaëtan Leymarie, Portal Luz Espírita: 2016, p. 73

[9] CLEMENTE. Primeira Carta in Clássicos da literatura Cristã: pais apostólicas; confissões; imitação de Cristo. Tradução Almiro Pisetta, Antivan Guimarçaes. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015, p. 31. (Primeira Carta de Clemente, 47.1).

[10] Em sua carta aos Filipenses, Policarpo faz alusões à trechos de Atos, 1 Pedro, Efésios, 1 e 2 Coríntios, Timóteo, Gálatas, Romanos etc., cf. POLICARPO. A Carta de Policarpo, bispo de Esmirna, aos Filipenses. Clássicos da literatura Cristã, Op. Cit., p. 79-83.

[11] Esse autor citou pelo menos 21 dos 27 livros do Novo Testamento, Cf. FERREIRA, Franklin. Servos de Deus: espiritualidade e teologia na história da igreja. São José dos Campos: Fiel, 2014 ,p. 43.

[12] KARDEC, Op. Cit., 2016, p. 75.

[13] KARDEC, Op. Cit., 2016, p. 76.

[14] KARDEC, Op. Cit., 2016, p. 80.

[15] KARDEC, Op. Cit., 2016, p. 83.

[16] FERREIRA, Op. Cit., p. 33

[17] PEREIRA, Marcelo. Jesus na Santíssima Trindade sob a ótica do espiritismo. Revista Letra Espírita. Disponível em: <https://www.revistaletraespirita.com.br/post/jesus-na-sant%C3%ADssima-trindade-sob-a-%C3%B3tica-do-espiritismo>. Acesso em: <23/07/2025>.

[18] KARDEC, Op. Cit, 1890/2016, p. 82.

[19] ALMEIDA, Marcel et all. Do avivamento apostólico aos prenúncios da Reforma. Barueri: Ágape, 2021, p. 120.

[20] MÁRTIR, Justino. Série Pais da Igreja: Diálogo de Justino com Trifão. Pais ante-nicenos 1 – Os Pais Apostólicos. Tradução de Paulo Matheus de Souza. Porto Alegre: Repositório Cristão, 2022, p. 12.

[21] MÁRTIR, Justino. Série Pais da Igreja: Diálogo de Justino com Trifão. Pais ante-nicenos 1 – Os Pais Apostólicos. Tradução de Paulo Matheus de Souza. Porto Alegre: Repositório Cristão, 2022, p. 67.

[22] INÁCIO. A Carta de Inácio, bispo de Antioquia aos efésios, in Clássicos da literatura Cristã, Op. Cit., p. 51 (7.2), sem grifo no original.

[23] KRUGER, Michael J. (Org.). Introdução bíblico-teológica ao Novo Testamento. Tradução Willian Orlandi. São Paulo: Editora Fiel, 2023, p. 555.

[24] Hb 1.8 cf. BRASIL, Sociedade Bíblica do. A Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993, p. 3093.

[25] 2Pe 1:1: “1 Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” cf. Bíblia Sagrada (ARA), 1993, Op. Cit., p. 3161.

[26] Tt 2:13: “13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” cf. Ibid., p. 3082.

[27] KRUGER, Op. Cit., p. 630.

[28] SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL, 2018, Op. Cit., p. 2176.

[29] SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL, 2018, p. 2037.

[30] Rm 9.5, cf. Bíblia Sagrada (ARA), 1993, Op. Cit., p. 2879.

[31] KARDEC, Op. Cit., 2016, p. 84.

[32] Ibid.

[33] SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL, Op. Cit., p. 2314.

[34] João 1.1,4,18, cf. Bíblia Sagrada (ARA), 1993, Op. Cit., p. 2690.

[35] In BRASIL, Sociedade Bíblica. Nova Tradução na Linguagem de Hoje 2000 (NTLH). Disponível em: <https://www.sbb.org.br/biblia/NTLH/MRK.1>. Acesso em: <31/07/2025>.

[36] In BRASIL, Sociedade Bíblica. ARA. Disponível em: < https://www.sbb.org.br/biblia/ARA/ISA.40>. Acesso em: <31/07/2025>.

[37] In BRASIL, ARA, Op. Cit.

[38] In BRASIL, ARA, Op. Cit.

[39] In BRASIL, NTLH, Op. Cit.

[40] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 31

[41] In BRASIL, ARA, Op. Cit.

[42] Ibid.

[43] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 445, pergunta 1006.

[44] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 446, pergunta 1009.

[45] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 448-449b, pergunta 1009.

[46] Ibid.

[47] BRASIL, Sociedade Bíblia do. Almeida Revista e Corrigida. Disponível em: <https://www.sbb.org.br/biblia/ARC/MAT.7>. Acesso em: <31/07/2025>.

[48] In BRASIL, ARA, Op. Cit.

[49] Ibid.

[50] In BRASIL, ARC, Op. Cit.

[51] Ibid.

[52] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 110.

[53] KARDEC, 2025,  Op. Cit., p. 128

[54] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 174-175.

[55] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 341, 415

[56] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 411, 443

[57] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 179.

[58] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 206.

[59] KARDEC, 2025,  Op. Cit., p. 319.

[60] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 348.

[61] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 416-417.

[62] KARDEC, 2025,  Op. Cit., p. 424.

[63] KARDEC, 2025, Op. Cit., p. 443, pergunta 999.

[64] In BRASIL, ARA, Op. Cit.

[65] In BRASIL, ARC, Op. Cit.

[66] Ibid.

[67] CLEMENTE, Primeira Carta, Op. Cit., p. 25.

[68] FERREIRA, Op. Cit., p. 34.

[69] FERREIRA, Op. Cit., p. 35

[70] CESAREIA, Eusebio de. Apud FERREIRA, Op. Cit., p. 34

[71] Ibid.

[72] Ibid., p. 35.

[73] Ibid., p. 36.

[74] CALVINO, João. As Intituições da Religião Cristã. Tomo I, Livros I e II. Tradução Carlos Eduardo de Oliveira et all. São Paulo: UNESP, 2008, p. 325.

[75] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Tradução de Odayr Olivetti. 4ª Ed. São Paulo: Cultura Cristã, p. 345, sem grifo no original.

[76] In BRASIL, ARA, Op. Cit.

[77] Ibid.

[78] Ibid.

[79] Ibid.

[80] In BRASIL, NTLH, Op. Cit.

[81] Ibid.

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